Ele Está de Volta - 2015



Antes de mais nada devo informar que não li o livro, então vou falar única e exclusivamente do filme. Assim, evito tecer qualquer tipo de comparação entre os dois. Também não li nenhuma crítica sobre o mesmo, apenas assisti sabendo da sua premissa e nada mais. Bom, e a premissa do filme não é nada inédito: imagine se uma figura história aparecesse nos dias atuais, nesse caso a figura é ninguém menos que Adolf Hitler. 






O ator alemão Oliver Masucci interpreta, brilhantemente, o austríaco chanceler alemão, Adolf Hitler. Em vários momentos eu senti uma certa falha na Matrix e não sabia mais o que era ficção ou realidade. Oliver, no caso Hitler, passa tanta veracidade em alguns momentos que a dúvida paira mesmo no ar. A escolha de Oliver, pelo diretor David Wnendt, foi justamente por ele não ser conhecido do grande público, sendo mais fácil infiltrá-lo em diversas situações. 

O ator Oliver Masucci

Hitler acaba aparecendo na Alemanha de 2014, e ainda pensando estar em 1945 começa a procurar um sentido em tudo aquilo, ele sabe que algo aconteceu e acredita que teve uma outra chance. Ele começa a interagir com as pessoas nas ruas, perguntando onde fica a Chancelaria, ou que ano ele está. As reações são as mais diversas. Entendo o quão delicado é esse assunto na Alemanha, e abordá-lo dessa maneira é um tanto corajoso. 

Ele acaba ganhando abrigo em uma banca de jornal, e algumas situações engraçadas surgem, pois Adolf precisa interagir com todo tipo de pessoa, e muitas vezes é estranho de ver. Um medíocre repórter freelance, Fabian Sawatzki, acaba por descobri-lo, e vê nessa situação uma forma se ganhar dinheiro e se tornar famoso. Ele resolve filmar e vender essa história para um canal de TV. 



O filme não critica o nazismo, ele critica basicamente a mídia, a situação política da Alemanha, a falta de interesse das pessoas e o problema dos refugiados. A primeira parte mostra um Adolf ainda descobrindo as coisas, tentando entender esse mundo moderno. Uma das cenas que chamou a minha atenção foi quando ele descobre a TV e começa a ver os programas que estão passando. Ele fica indignado pelo fato de ter tanta notícia por ai, tanta coisa acontecendo, e a TV estar transmitindo programas tão fúteis. Eles começam a entrevistar as pessoas nas ruas e as críticas são as mais diversas, a grande maioria é sobre o sistema político e a crise dos refugiados. Na presença desse Adolf, algumas pessoas sentem um certo conforto em dar sua opinião. E essas opiniões são as mais diversas. 



Sawatzki acaba por levá-lo para a TV, e Adolf vê ali a sua grande chance. Nessa segunda parte vemos um Adolf Hitler celebridade. As pessoas não tem certeza do que estão vendo. Se é um comediante, um louco ou o próprio Adolf. E isso fica claro nos olhares e expressões das pessoas. Isso chamou muito minha atenção. É perceptível o desconforto de algumas pessoas. E a segurança de outras. É realmente algo estranho. Muitas pessoas tem Hitler como ídolo, e justificam todos seus atos. E acabamos por ver essas pessoas que compartilham os mesmos pensamentos do Adolf original (ou seria esse?). Hitler usa essa ferramenta, a TV, para discursar e apresentar suas teorias, e claro que há discurso de ódio de racismo, mas não tão explícito. E ele acaba virando assunto para vários programas e vira celebridade na internet também. Em certo ponto ele acaba por maltratar um animal, e durante uma de suas entrevistas isso é revelado, e tudo aquilo que ele tinha construído acaba por começar a desmoronar. Essa é mais uma clara crítica à mídia: você pode disseminar o ódio, racismo, criticar o governo, querer expulsar imigrantes e tudo mais. Mas nunca, em hipótese alguma maltrate um animal e jogue isso na TV. Nunca.

Na terceira parte temos exemplos do que aconteceria se Hitler realmente tivesse voltado. A dúvida começa a pairar sobre as cabeças das pessoas e as incertezas também. O desfecho não é algo sensacional, mas eu suspeitei que seria assim. Acredito que se fosse diferente acabaria por tirar a "veracidade" do filme. Há uma cena copiada de A Queda - As Últimas Horas de Hitler, que eu achei muito legal, uma boa sacada. 


O filme é categorizado como comédia, pode até ser, mas há pontos interessantes que podemos parar para pensar em algumas situações. Podemos ver que problemas políticos e crises não estão restritos ao nosso país. Há pessoas insatisfeitas nas mais diversas partes. Mas o que não podemos é ser extremista, para nenhum dos lados. 





O filme está disponível no Netflix. 

Nota 4,0.

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