Black Mirror – Um futuro nem tão alternativo assim


Vivemos num mundo onde a tecnologia domina as nossas vidas. É um tanto clichê já começar falando isso, mas estamos o tempo todos conectados, precisamos de nossos smartphones com conexão à internet para fazer um milhão de coisas que dependemos. As funções variam desde ouvir uma música, assistir um vídeo ou um filme, até pagar uma conta no banco. Podemos utilizar a tecnologia para entretenimento e para trabalho. E também, claro, para coisas que não são benéficas para ninguém. Fato é que já não vivemos mais sem tudo isso.

Dentro desse contexto, temos um seriado muito excêntrico, diferente de tudo que você já viu. Black Mirror, um seriado britânico que tem um formato que foge do padrão das outras séries.  Criada por Charlie Brooker, a série tem como objetivo nos mostrar um conto em cada episódio. Sim, contos de ficção – alguns a la Stephen King – que retratam a realidade tecnológica que vivemos. Cada episódio tem um elenco diferente, uma história diferente, uma realidade diferente.

Para te apresentar essa série aqui está uma breve análise da primeira temporada de Black Mirror:

The National Anthem (T1E1)


Logo no primeiro episódio da série lançado em 2011, temos um impactante conto que reflete a era da internet. Tudo acontece na Inglaterra. O ministro é acordado às pressas de seus aposentos para receber uma péssima notícia; a Princesa Susanah fora seqüestrada. Sobre isso nada se sabe, não há rastros, vestígios... nada. A única pista que há é um vídeo no youtube da princesa, amarrada pelo suposto seqüestrador que a obriga a ler um texto para a câmera, explicando as instruções para ser liberta. Basicamente, o primeiro ministro teria que ter relações com um porco. Ao vivo, na televisão. Sem dublês, sem montagem. Se não, já era princesa Susanah.

Parece bizarro, não? Mas a repercussão que isso gerou na população foi ensurdecedora. Dois lados da moeda eram discutidos. Michael Callow não deveria se expor ao ridículo, ele é uma figura pública de respeito. Fazer sexo com um porco ao vivo na televisão?! Nem pensar! Por outro lado, se ele não o fizesse, a princesa morreria e isso já seria o suficiente para ser taxado de covarde por toda a população. O ministro até tentou proibir as imagens da princesa de serem circuladas, porque afinal, quanto menos gente sabendo, melhor. Mas nada é páreo para a “geração Twitter”. Todo esse borborinho já havia sido causado.

Nada que a polícia fez teve resultados bons.  Tudo só piorava a situação, e eles não conseguiam encontrar o seqüestrador. Não havia suspeitas de que tudo era real, que o ministro realmente teria que fazer aquilo para salvar a princesa.


E é por aqui que eu paro, para não estragar sua experiência com o episódio. Mas acredite, é bizarramente impressionante o que acontece.

Fifteen Million Merits (T1E2)


O segundo episódio mostra uma realidade exagera do que já vivemos hoje. Uma sociedade onde tudo é movido pela publicidade e programas de televisão. Humanos que vivem em um lugar que a energia é gerada através de bicicletas ergométricas. Cada um vive trancafiado em um quarto, e para conseguirem alimento, roupa, e etc, eles tem que atingir uma determinada meta. É uma espécia de videogame ultrarrealista onde todos são bonecos daquele determinado sistema.

Em efeitos de comparação, o famoso conceito de "sociedade do espetáculo" (Guy Debbord) se encaixa perfeitamente no episódio. O protagonista, Bing, desconfia que há algo errado, começa a achar que o sistema que está por trás de tudo é errado e usa as pessoas e seus talentos reais, suas emoções reais, só para lucrarem dinheiro em cima dos programas, não se importando com ninguém. Um sistema que trasnfora tudo num "espetáculo" por dinheiro.

Bing se apaixona por uma garota que sonha em participar de um dos programas de talentos e motivado por essa paixão ele decide tentar desmascarar o sistema, o que gera um dos momentos mais tensos do episódio.

Como disse anteriormente, esse conceito de sociedade espetacularizada se encaixa muito bem nesse episódio, e aliado a proposta de mostrar os efeitos negativos da tecnologia em nossas vidas, resulta num produto que alcança o objetivo de fazer o espectador pensar sobre tudo aquilo.

The Entire History of You (T1E3)


O episódio que mais me marcou quando assisti é o terceiro - e último - da primeira temporada.
Ele mostra uma realidade onde todas as pessoas usam um tipo de aparelho que grava tudo; memórias, momentos, tudo fica armazenado. "O Grão" (nome do gadget) é implantado nos olhos da pessoa, assim ela consegue gravar todos os momentos, reconhecer pessoas há muito tempo vistas (através do reconhecimento facial, uma funcionalidade que já existe), e até mesmo "reviver" os momentos. Isso pode ser feito através de um televisor, ou até mesmo nos próprios olhos. Não é como se fosse um Google Glass, e sim lentes de contato.

Na trama temos Liam, um advogado que está tendo algumas intrigas com sua mulher. O que torna tudo muito mais intrigante, é justamente esse dispositivo tecnológico. Liam desconfia de um envolvimento de sua mulher com um colega dela, e faz de tudo para descobrir, vasculha as memórias remotas, volta os momentos no Grão... tudo pra provar a sua teoria paranoica. Se é verdade ou não, você descobre assistindo, evito spoilers porque cada situação do episódio é uma baita reviravolta.

Talvez esse tenha sido o episódio que mais torna a série real, e que mais atinge seu propósito, pois a ambientação é muito normal, com se fosse em algum lugar que essa tecnologia realmente existe. Certamente causa um impacto de reflexão em quem assiste, sobre a possibilidade de um aparelho assim, e sobre o que já vivemos hoje em dia com tecnologias parecidas.

Segunda e terceira temporadas

Você pode achar até pouco, mas até então a série possui duas temporadas, com 3 episódios cada. Ao todo são 7 episódios, contando com um bônus especial de Natal. Todos os episódios estão disponíveis na Netflix. 

Ano passado, a vermelhona anunciou que estaria produzindo a terceira temporada da série, e agora foi lançado um teaser anunciando que serão 6 novos episódios. 

Prepare sua maratona para a estreia da nova temporada dia 21 de Outubro!


Comentários

  1. Gostei da linha de enredo da série. Sinceramente é daqueles que apenas passo o olho ( ou nem isso) pelo catálogo da Netflix, mas agora me chamou atenção.

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  2. Gostei da linha de enredo da série. Sinceramente é daqueles que apenas passo o olho ( ou nem isso) pelo catálogo da Netflix, mas agora me chamou atenção.

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