Desde Aquele Dia - Humberto Gessinger



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Ontem (17/03) foi o lançamento da nova turnê do Humberto Gessinger, Desde Aquele Dia, em comemoração aos 30 anos do lp A Revolta dos Dândis. Esse show foi transmitido na íntegra e ao vivo pelo canal BIS direto do Viva Rio, no Rio de Janeiro.

Pois bem, depois que os Engenheiros terminaram, Humberto seguiu com a banda, ou belo menos com o nome dela, por um bom tempo, sendo o único integrante original. (Não vou entrar no mérito de brigas judiciais sobre o nome ou outras brigas). Para mim, os Engenheiros terminaram quando a famosa formação com Gessinger, Licks e Maltz de dissolveu. Muitos passaram pela banda, mas não havia "aquele" espírito.

Então um dia (sei lá se entre um conhaque e outro), Humberto decidiu "aposentar" o nome Engenheiros do Hawaii e seguir "apenas" como Humberto Gessinger. Mesmo faltando algo, para nós, fãs, estava bom. O que vimos a partir daí foi um Humberto mais maduro e experimentando mais em músicas antigas e conhecidas. Uma receita que daria certo como aquele delicioso bolo da vovó. Mas, isso eu falo de forma pessoal, em alguns momentos soa sim como "mais do mesmo". Nós já conhecemos aquelas canções, sabemos de cor, e mesmo alterando a melodia ou uma frase é a mesma música. Mas ele sabe fazer isso, e faz muito bem. Mas falta aquela coisa nova, e isso aparecia em algumas poucas letras que ele fazia.

Em Insular, seu cd de 2013, Humberto mostra novas músicas e novas letras, mas de longe é os Engenheiros do Hawaii. São poucas músicas que tem aquela pegada rock dos Engenheiros, parece tudo acústico, tudo muito calmo. Em 2015 ele lança Insular Ao Vivo, e ali temos um pouco do que era os Engenheiros. Algumas músicas antigas com novas e uma pegada roque em algumas músicas deu um ar diferente.

Agora temos Desde Aquele Dia, a nova turnê que comemora 30 anos do LP A Revolta dos Dândis, nesse novo trabalha ele lançou um compacto com três canções: "Alexandria", que tem a parceria de Tiago Iorc e já gravado por ele no cd Troco Likes, e outras duas canções mais antigas e já gravada por outros artistas; "O Que Você Faz à Noite"(1988), com Dé do Barão Vermelho gravado no disco Carnaval e "Olhos Abertos" (1989) gravado pelo Capital Inical no cd Todos os Lados. Provavelmente esse show será transformado em um cd e dvd ao vivo, não duvido disso.



Desde Aquela Dia


O show de estreia da turnê foi transmitido ao vivo pelo canal BIS. Claro que isso é ótimo para quem não pode ir, podendo assim, acompanhar o início dessa fase. Mas o show não teve muita novidade. O próprio Humberto na abertura diz que vão tocar o Revolta e algumas outras coisas. Não sei se é fato, mas a impressão é que os shows para tevê são diferentes dos shows sem tevê. Parece que o Humberto está um pouco amarrado no palco. Claro que essa é uma impressão pessoal, e você, amigo leitor, pode pensar diferente. Mas para mim falta um pouco de energia, mas a cumplicidade com o público permanece. A ligação existente entre os fãs dos Engenheiros com Humberto é difícil de explicar, mas ela existe e forte.

As músicas são praticamente as mesmas dos outros shows (com exceção das três citadas acima) e o estilo ainda lembra os acústicos, salvo algumas músicas com um pouco mais de peso, tudo parece ser muito mais "calmo". Claro que não somos os mesmos para sempre, e o Humberto nunca foi o mesmo, sempre mudando e tentando coisas novas, mas ele está mais maduro, a cabeça muda e as ideias também. Mesmo as músicas sendo as mesmas e muito conhecidas, ele consegue mudar as melodias, fazer fusão entre duas ou três canções diferentes e tudo fica muito normal, muito natural. Mas ele ainda segue tropeçando, errando ou esquecendo algumas partes das letras, isso tudo é relevante, isso é o normal dele.

Nando Peters, Humberto Gessinger e Rafa Bisogno

O que me surpreendeu foi ele ter cantado "Pose (Anos 90)" do lp GLM, para mim um dos melhores, quiça, o melhor disco dos Engenheiros. Se me pedirem um resumo da banda eu mostro esse lp, desde a parte gráfica da capa e do encarte e as letras é tudo Enghaw puro. E eu sempre gostei dessa música, mesmo que ela não seja muito comercial (não me recordo de tê-la ouvido em rádios), eu sempre a coloco como uma das melhores. E foi muito bom ouvi-la e voltar um pouco para 1992, ano do lançamento desse lp. E isso me fez tirar o vinil da estante e colocá-lo para tocar novamente. 

GLM, clássico da Engenharia Hawaiana

Lembro que eram anos 90, minha ouvia programas nas rádios AM, e um dia ouço "Era um Garoto que Amava os Beatles e Rolling Stones" em um desses programas. "Nossa! O que é isso? É muito legal". Nessa época internet e computadores (pelo menos para mim) era algo de filmes de ficção científica, então como fazer para descobrir? O jeito era ficar de ouvido ligado no rádio até que um dia ouço Eli Corrêa (Sim, aquele do "Oooooiiiii geeeente!") dizer que o nome da banda era "Engenheiros do Hawaii". Nossa, que demais! Eu já tinha um pezinho no rock, gostava de Elvis por influência de Raul Seixas que minha mãe ouvia (valeu, mãe!), então fui atrás para saber mais dessa banda. 

Próximo ao meu aniversário, que é em Outubro, eu ganho da minha mãe de presente meu primeiro lp dos Engenheiros: O Papa é Pop, onde estava a música "Era um garoto...". Meses depois conhecei meu grande amigo Arthur Sanchez, que na época já era conhecedor da banda e tinha (e ainda tem) o fã-clube Desde Aquele Dia. Depois disso o que vem é história. Não teve mais como sair desse mundo. Várias noites copiando letras das músicas em folhas discutindo, ouvindo e discutindo as letras, show e tudo mais. Claro que nem tudo são flores e com o passar dos anos acabamos deixando as coisas em segundo plano, mas nunca esquecendo totalmente. E ontem, no show, ao ouvi-lo cantar essa música me veio tudo isso à mente. Uma época completamente diferente da atual, com sentimentos diferentes, pessoas diferentes, regras e normas completamente diferentes. Quando percebemos essas pequenas coisas bate aquela saudade de um tempo que não aproveitamos na sua totalidade. Em certo momento do show, Humberto agradece ao Maltz e ao Licks. Claro que o público adorou. Vida longa GLM!

Desde Daquele Dia pode vir a ser um bom cd/dvd, mas nada muito diferente do que vemos nos últimos anos. Para os fãs é ótimo. Como dizemos no mundo nerd: "Sou fã, quero service" e esse show é um bom fã-service. Mas serve, também, para as novas gerações tenham conhecimento dos trabalhos mais antigos do Humberto e da banda.

 Clique para ouvir no Spotify
Clique para ouvir Desde Aquele Dia no Spotify

A playlist do show Desde Aquele Dia foi essa:

1. A revolta dos dândis I (Humberto Gessinger, 1987)
2. Infinita highway (Humberto Gessinger, 1987)
3. Até o fim (Humberto Gessinger, 2003)
4. Quem tem pressa não se interessa (Humberto Gessinger e Carlos Maltz, 1987)
5. Vozes (Humberto Gessinger, 1987)
6. Terra de gigantes (Humberto Gessinger, 1987)
7. Desde aquele dia (Humberto Gessinger, 1987)
8. Além dos outdoors (Humberto Gessinger, 1987)
9. Guardas da fronteira (Humberto Gessinger, 1987)
10. Refrão de bolero (Humberto Gessinger, 1987)
11. Piano bar (Humberto Gessinger, 1991)
12. Filmes de guerra, canções de amor (Humberto Gessinger, 1987)
13. A revolta dos dândis II (Humberto Gessinger, 1987)
14. Eu que não amo você (Humberto Gessinger, 1999)
15. Alexandria(Humberto Gessinger e Tiago Iorc, 2015)
16. Pose (Anos 90) (Humberto Gessinger, 1992)
17. Somos quem podemos ser (Humberto Gessinger, 1988)
18. 3x4 (Humberto Gessinger, 1999)
19. O que você faz a noite (Humberto Gessinger e Dé Palmeira, 1988)
20. Olhos abertos (Humberto Gessinger, Loro Jones, Flávio Lemos, Dinho Ouro Preto, Bozo Barretti, 1990)
21. O preço (Humberto Gessinger, 1996)
22. Dom Quixote (Humberto Gessinger e Paulinho Galvão, 2003)
23. O exército de um homem só (Humberto Gessinger e Augusto Licks, 1990)
24. Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones (C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones) Mauro Lusini e Franco Migliacci em versão em português de Brancato Júnior, 1966)

Bis:

25. Faz parte (Humberto Gessinger, 1997)
26. Pra ser sincero (Humberto Gessinger, 1990)


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