Mulher-Maravilha 2017



O ano é 1975, o dia é 7 de Novembro. Nesse dia, lá nos Estados Unidos estreia a série televisiva da Mulher-Maravilha, protagonizada por Linda Carter. Essa série seguiu até 11 de Setembro de 1979, totalizando 59 episódios. E até hoje é cultuada pelos fãs. Eu nasci em 1977, e viu ver essa série nos idos dos anos 80, quando passou aqui no Brasil, e adorava e lembro de bem de como era ver uma heroína na tevê. 

Linda Carter
Em 2011 uma nova tentativa de levar a Mulher-Maravilha à tevê falhou e a série não passou de um piloto que ao menos foi veiculado (saiba mais aqui). O que era euforia dos fãs, se transformou em decepção. Até que quem 2015 anunciaram um longa para nossa heroína. Mas como base em todos os filmes da DC/Warner até então, a desconfiança tomou conta. Mas chegamos em 2017 (e eu também) e tivemos a oportunidade de assistir ao tão esperado longa da Mulher-Maravilha.

(pode conter algum spoiler, caso você ainda não tenha assistido)



Baseado no passado recente dos filmes da DC/Warner, muitos de nós estávamos apreensivos quanto ao que seria o filme da Mulher-Maravilha. O medo era que não fosse algo à altura da heroína, algo digno. Logo nas primeiras críticas vindo das terras gringas, nos deixava mais calmo, parecia que tudo estava em ordem. Então, depois de tentar desviar de spoilers, e não ver muitas críticas sobre, chegou o meu dia de assistir. 


Além de minha esposa, tive a companhia da minha filha de seis anos, que conhece minha paixão por quadrinhos, e sabe o nome de praticamente todos os grandes heróis da DC e da Marvel. A primeira pergunta dela, logo no início do filme foi: “Pai, o Coringa aparece? Ela vai lutar com ele?”. E logo depois de um tempo vem a próxima pergunta: “Quando ela vai lutar?”. Claro que a pequena não vai se atentar à história, guardar os nomes dos personagens e onde eles estão. Ela queria ver ação, queria ver a Mulher-Maravilha batendo nos “bandidos”. “Você quer ver ela lutando?” “Quero!” “Ok, espera aí que já, já ela começa”. E sim, quando a música tema é tocada pela primeira vez, chega a arrepiar.

A DC/Warner nos apresenta um filme que mostra a origem da Mulher-Maravilha, desde sua infância em Themyscira (Temicera) até quando ela deixa sua terra natal e segue para o “mundo dos homens” lutar ao lado de Steve Trevor com o intuito de acabar com a guerra que está em andamento. A fase da infância e adolescência da Diana é bem retratada, mesmo sem a disputa para descobrir a melhor das amazonas, vemos Diana sendo treinada e aos poucos se tornando a excelente guerreira que é. A origem mais conhecida da Diana é ela sendo moldada do barro pela sua mãe, e ganhando vida por meio de Zeus. Existe uma outra que mostra Diana como fruto de um relacionamento extraconjugal com Hipólita, e parece esse ser um dos pontos da nova revista da Mulher Maravilha que está nas bancas atualmente. Há um vídeo bem legal falando dele no canal Comics, Toys & Travels que você pode ver clicando aqui.


Acredito que o grande acerto do filme foi Patty Jenkins na direção, não sei se um homem conseguiria ter a mesma visão que ela teve. Quando Diana chega ao “mundo dos homens” com Steve Trevor ela encontra um mundo completamente diferente do que ela vivia. Um mundo totalmente controlado por homens sentados em suas confortáveis cadeiras, onde a mulher exerce um papel de quase total subserviência à eles. Diana não entende as razões pelas quais esses homens não estão na batalha, assim como aprendeu com sua tia, a General Antíope (muito bem interpretado por Robin Wright), e sente-se no dever de acabar com essa guerra e salvar as pessoas. Mas o que ela não sabe ainda é que as coisas não são tão fáceis como parece. E o mal não reside em uma pessoa ou um ser, mas no coração do homem, e a escolha é dele de seguir por esse caminho ou não. 

Gal Gadot está realmente incrível no papel de Diana/Mulher-Maravilha, além de toda beleza ela passa força, atitude e coragem, tudo o que esperamos de uma heroína de sua categoria. Ela é de uma leveza incrível nas cenas de ação, assim como nas cenas mais emotivas. A dupla Diana Prince e Steve Trevor (Chris Pine) funciona muito bem. Há ótimas cenas com eles, algumas engraçadas que arrancaram risos das pessoas no cinema. Um aporte cômico na trama é a secretária de Steve, Etta Candy (Lucy Davis) que tem ótimos diálogos com Diana, mas que depois acaba sendo deixada um pouco de lado até que praticamente esquecida. A equipe formada por Steve, Diana, Sameer (Said Tashmaoui), Charlie (Ewen Bremnen) e Chief (Eugene Brave Rock), apesar de inusitada acaba funcionando muito bem. 

Sameer, Steve, Diana Chief e Charlie


Mas como, infelizmente, nem tudo é perfeito, o filme tem seus pontos negativos sim. Uma coisa que eu cheguei a ficar confuso era em qual guerra eles estavam, apesar de ter Alemães, não eram os Nazistas. Então, dá a entender que era a Primeira Guerra. Não sei se eu perdi alguma fala que explicava isso, mas à princípio isso me pareceu confuso, e pode ser que algumas pessoas possam ter ficado sem saber exatamente a época que se passa essa guerra. Outro ponto é o excesso de CGI (a famosa computação gráfica), apesar de necessária em várias cenas de ação, ela é usada em alguns planos abertos, principalmente em Themyscira, onde podemos perceber facilmente, e as câmeras lentas, que parecem ser uma marca dos filmes DC/Warner. Apesar de eu ter gostado muito das cenas com as Amazonas, há um exagero nas câmeras lentas, não chega a prejudicar, mas às vezes incomoda. Mas deixo claro que esses “problemas” em nada tira a beleza do filme. Apesar de os vilões serem fracos, tanto o General Ludendorff (Danny Huston), quanto a Doutora Veneno (Elena Anaya) são fracos tanto em atuação quanto motivação, deixando todo o peso para Ares (David Thewles).




Com o advento do filme estamos recebendo uma enxurrada de Mulher-Maravilha, sendo atacados por todos os flancos. E eu quero que venha mais e mais, quanto mais melhor. Em um deserto mundo onde a os homens dominam praticamente tudo, e tanto nos quadrinhos quanto nos filmes as mulheres são tratadas como coitadinhas e servem apenas para ficarem em perigo em pontes ou no meio de lutas com monstros alienígenas prontas para serem salvas, Mulher-Maravilha é um belo oásis. E minha principal motivação é mostrar para minha filha que sim, as mulheres podem ser heroínas tanto quanto os homens, que elas podem lutar, ser fortes, destemidas, corajosas sem que haja nenhum problema. E para minha surpresa (e claro, adoração) ela ficou toda atenta às cenas de ação, chegando a sentar na ponta da poltrona e não cochilou em nenhum momento durante todo o filme e no final me disse que foi  “muito bom”.

Isso tudo é ótimo para que as gerações vindouras saibam que há espaço para todos. Que as meninas tenham onde se espelhar, tenham um personagem de referência que as façam entrar nesse incrível mundo dos quadrinhos e super-heróis. Mesmo que você não entenda nada de super-heróis, vale a penas assistir a esse filme que eu considero um dos melhores desse gênero até então.

Linda Carter e Gal Gadot

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