3 de agosto de 2017

Dunkirk - Filme



Maio de 1940, Dunquerque (Dunkirk), França. Tropas nazistas avançam ao norte do território francês cercando milhares de soldados, na sua maioria ingleses e franceses, alguns belgas e holandeses em Dunkirk.


No dia 26 do mesmo mês é colocado em ação a "Operação Dínamo", que consistia na retirada de soldados ingleses e seus aliados do solo francês. Para Winston Churchill, então Primeiro-Ministro inglês, o objetivo da operação era resgatar cerca de 45 mil homens em 48 horas. Para tanto, foi necessário a convocação de embarcações civis de todos tipos. Programada para dois dias, a Operação Dínamo durou nove dias e resgatou mais de 338 mil homens somente em Dunquerque. No total foram mais de 558 mil soldados resgatados, entre ingleses, franceses e aliados. 



Mas o "sucesso" dessa operação gira em torno de um mistério: Quais os motivos fizeram com que Adolf Hitler suspendesse os ataques à Dunquerque, "permitindo" assim que as tropas fossem resgatadas. Fala-se dele estar seguro da tomada do território francês ou um possível acordo de rendição com a Inglaterra fez com que Hitler deixasse de atacar para economizar tropas para futuros ataques. Mesmo com essa suspensão algumas aeronaves ainda estavam em curso de ataque aos navios e aos soldados em terra. Foram abatidos cerca de 84 aeronaves da RAF (Força Aérea Real) e 78 Luftware, braço aéreo do exército nazista.



Christopher Nolan (Interestelar, A Origem, Trilogia Batman - Cavaleiro das Trevas e outros) nos apresenta essa história em seu primeiro "épico de guerra", e consegue fazer um filme impressionante e envolvente que faz com que o espectador sinta-se parte daquele todo. Toda angústia, desespero, medo, dúvidas e pequenas alegrias saltam da tela e atinge em cheio quem está na poltrona. 

Interessante é que praticamente não vemos o inimigo (a não ser os aivões), e por isso não é possível precisar de onde vem um possível ataque, pois, eles podem estar em qualquer lugar e surgir à qualquer momento. O mais denso silêncio é interrompido por tiros. E você sente o mesmo susto que o soldado que é o alvo dos projéteis. As balas passando próximo a ele, ou acertando paredes e chão, faz com que o soldado não tenha certeza para onde ir. Isso ocorre também com milhares de soldados na praia esperando resgate, onde um silêncio sepulcral é cortado pela aproximação de aeronaves inimigas com um objetivo mais que certo: destruir. O desespero toma conta dos soldados que correm aleatoriamente e deitam ao solo protegendo com o mínimo que tem e torcendo para que não sejam atingidos. Centenas de solados no pier à espera da chegada do navio de resgate ouvem ao fundo bem longe um zunido, quando esse som se aproxima percebem que é um avião inimigo. Não há muito o que fazer, a não ser o mesmo que os soldados em terra. Bombas caem, tiros são disparados e nesse momento momento você sente todo desespero desses homens. Vários soldados não voltarão aos seus lares. Segundos após os ataques, eles se recompõe em filas, ainda aguardando o resgate, ou pior, o próximo ataque. 



A trilha sonora de Hans Zimmer encaixa de maneira perfeita com as situações, aumentando ainda mais toda tensão do momento. Por vezes precisamos nos ajeitar na poltrona e respirar fundo. No quesito "épico" o filme entrega o que promete. As tomadas aéreas são incríveis, a perseguição das aeronaves, o desespero dos pilotos, os navios sendo atingidos e os soldados procurando abrigo. Tudo tão real que não conseguimos entender como esses homens resistiram tão bravamente. Ao sair da sala de cinema eu estava abalado, tenso. Como se eu estivesse próximo àqueles soldados. Eu nunca aproveitei tanto o silêncio de um shopping center durante a semana, como naquele dia. 

Chegada dos soldados em Dovers - 1940


O filme peca apenas, ao meu ver, na conexão emocional. Fora uma ou outra cena mais emocionante, a história do filme não transmitiu essa sensação. Mesmo sendo personagens fictícios em uma história real, não senti aquele apego como em outros filmes do gênero. Essa parte, essa falta de uma conexão emocional deixou a desejar. Brevemente não nos lembraremos mais dos nomes das personagens. 

Outro ponto que pode ser abordado é o fato da narrativa não ser linear e possuir mais de um ponto de vista que alterna entre a visão dos soldados aguardando o resgate; dos voluntários britânicos em uma embarcação e dos pilotos da RAF. Isso evita que o filme fique enfadonho, mas acaba deixando um pouco confuso, somado com algumas transições entre passado/futuro. Ainda que acabe ocorrendo certa ligação entre esses três momentos, ela é muito pequena e não gera tanta comoção. Mas esses pontos não diminui a grandiosidade do filme. É um filme muito bem feito, que agrada por ser uma parte, triste e revoltante, da história mundial. E tecnicamente ótimo e um forte candidato à, no mínimo, uma estatueta dourada. 





Dunkirk




Data de lançamento: 27 de julho de 2017 (Brasil)
Direção: Christopher Nolan
Música composta por: Hans Zimmer
Cinematografia: Hoyte van Hoytema
Roteiro: Christopher Nolan

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Newsletter